ÁRVORE DO CHÁ
- Essencia Bem-estar

- 18 de jul. de 2018
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ÓLEO ESSENCIAL ANTIFÚNGICO, ANTI-BACTERIANO E ESTIMULANTE IMUNITÁRIO

A Árvore do Chá – Melaleuca alternifolia – é uma planta nativa Australiana, pertencente à família das Myrtaceae e é conhecida, popularmente, como "Tea Tree", contudo, não se trata da verdadeira planta do chá (camellia sinensis) [1].
O mais antigo uso relatado da planta de Melaleuca Alternifolia foi o uso tradicional pelos aborígenes Bundjalung do norte de Nova Gales do Sul, em que as folhas de “tea trees” eram esmagadas e inaladas para tratar tosses e resfriados ou colocadas em feridas e doenças de pele. Além disso, também usavam as folhas para fazer infusão aliviando assim dores de garganta [2,3].
O óleo da árvore do chá, também conhecido como óleo de melaleuca, é um óleo essencial destilado a partir das folhas da planta. Diz a lenda que o óleo foi considerado tão importante pelas suas propriedades medicinais, que soldados australianos continham o óleo nos seus kits militares durante a Segunda Guerra Mundial e que os cortadores da planta estavam isentos do serviço nacional [4].
Segundo a ISO 4730:2004 “Oil of Melaleuca”, os constituintes maioritários deste óleo são terpinen-4-ol (no mínimo 30%) principal constituinte, 1,8-cineol γ-terpineol, e α-terpineno. No entanto ainda podem encontrar-se α-pineno, sabineno, p-cimeno, terpinoleno, α-terpineol, aromadendreno, viridifloreno, δ-cadineno, globulol e viridiflorol [5].
O óleo essencial da árvore do chá possui propriedades anti-bacterianas, anti-inflamatórias, anti-virais, insecticidas e estimulantes imunológicas, sendo que o reforço imunológico é devido ao terpinen-4-ol, enquanto o cineol é responsável pelo seu carácter anti-séptico e a actividade anti-viral é devida à alfa-sabina e α-terpineol que produzem efeitos anti-bacterianos e antifúngicos [1].
Devido à sua alta concentração de terpinen-4-ol, um composto com propriedades anti-inflamatórias e anti-microbianas, o óleo de melaleuca é incorporado como o ingrediente activo em muitas formulações tópicas usadas para tratar infecções cutâneas, com resultados promissores suportados por dados in vitro [6]. Em testes em animais, descobriu-se que o terpinen-4-ol suprime a actividade inflamatória em casos de infecção da boca. Em humanos, o óleo de melaleuca aplicado tópicamente reduziu o inchaço na inflamação da pele induzida por histamina [6].
Esta planta tem apresentado bons resultados em estudos sobre a sua acção contra o vírus Herpes simples [7] e é, também, muito frequente usar-se o óleo no tratamento de micoses e outro tipo de infecções fúngicas, tendo demonstrado óptima acção contra Candida albicans [8]. O óleo essencial de melaleuca tem sido avaliado clinicamente para o tratamento caspa, sendo bem tolerado e eficaz no tratamento de caspa leve a moderada, tinea pedis e onicomicose, e que os pacientes apresentaram resolução total ou parcial. No entanto, a onicomicose é considerada, em grande parte, não responsiva ao tratamento tópico de qualquer tipo, e uma alta taxa de cura não deve, portanto, ser esperada [6].
Este óleo é muito utilizado, actualmente, como anti-séptico tópico, em massagem de relaxamento e tem especial destaque como anti-séptico para afecções bucais [5]. Estudos indicam que o óleo pode ter um papel no tratamento da gengivite, e há também algumas evidências preliminares sugerindo a redução dos níveis de vários compostos associados à halitose [12].
O óleo essencial de Melaleuca apresenta, também, acção anti-bacteriana tanto sobre bactérias Gram+ como Gram-, incluindo Propionibacterium acnes. A actividade contra este microrganismo tem permitido a sua introdução em cosméticos para o tratamento de pele com tendência a acne com lesões inflamatórias e não inflamatórias [9]. Estudos clínicos rigorosos para o tratamento de acne com óleo de melaleuca em comparação peróxido de benzoíla, mostraram que ambos os tratamentos reduziram o número de lesões inflamadas, embora o peróxido de benzoíla tenha apresentado significativamente menos oleosidade, sendo mais eficaz, o óleo de melaluca mostrou significativamente menos descamação, prurido e secura e menos efeitos colaterais relatados [6].
A actividade anti-bacteriana foi bem demonstrada por vários testes e métodos, incluindo pele humana ex vivo, sendo que o óleo de melaleuca por via de vaporização também pode inibir as bactérias, incluindo Mycobacterium avium ATCC 4676 [10], Escherichia coli, Haemophilus influenzae, Streptococcus pyogenes e Streptococcus pneumoniae [11].
Assim, o óleo essencial de melaleuca tem sido usado como agente terapêutico para tratamento de herpes, abcessos, acne e pele oleosa, herpes labial, queimaduras, picadas de insectos e caspa, além
de ser útil no tratamento de patologias respiratórios, como tuberculose, tosse, bronquite, asma e catarro [1].
Na Essência · Massagem e Bem-estar , o óleo essencial de melaleuca é um dos constituintes do Creme Hidratante Refrescante e é também usado como opção da massagem de relaxamento com aromaterapia – Aromasense.
Experimente!
COMPOSIÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DA MELALEUCA ALTERNIFOLIA
Terpinen-4-ol ______ 30 - 40 %
γ-Terpinene ________ 10 - 28 %
α-Terpinene ________ 05 - 13 %
1,8-Cineole ________ 05 - 15 %
Terpinolene ________ 1.5 - 05 %
ρ-Cymene _________ 0.5 - 12 %
α-Pinene __________ 01 - 06 %
α-Terpineol________ 1.5 - 08 %
Aromadendrene ____ 01 - 07 %
δ-Cadinene________ 01 - 08 %
Limonene ________ 0.5 - 04 %
Sabinene _________ 0.2 - 3.5 %
Globulol _________ 0.2 - 03%
Viridiflorol _______ 0.1 - 1.5 %
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REF. BIBLIOGRÁFICAS
1 - Babar Ali, Naser Ali Al-Wabel, Saiba Shams, Aftab Ahamad, Shah Alam Khan, Firoz Anwar
Essential oils used in aromatherapy: A systemic review. Review article. 10 July 2015,
Pacific Journal of Tropical Biomedicine. http://dx.doi.org/10.1016/j.apjtb.2015.05.007Asian
2 - Low, T. 1990. Bush medicine. Harper Collins Publishers, North Ryde, NSW, Australia.
3 - Shemesh, A., and W. L. Mayo. 1991. Australian tea tree oil: a natural antiseptic and fungicidal agent. Aust. J. Pharm. 72:802-803
4 - Carson, C. F., and T. V. Riley. 1993. Antimicrobial activity of the essential oil of Melaleuca alternifolia. Lett. Appl. Microbiol. 16:49-55.
5 - Cunha, A. P. & Roque, O. R. (2013). Aromaterapia - Fundamentos e Utilização, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian
6 - C. F. Carson,1 K. A. Hammer,1 and T. V. Riley1,2,* Melaleuca alternifolia (Tea Tree) Oil: a Review of Antimicrobial and Other Medicinal Properties Clin Microbiol Rev. 2006 Jan; 19(1): 50–62.
doi: 10.1128/CMR.19.1.50-62.2006 PMCID: PMC1360273 PMID: 16418522
7 - Farag, R. S., et al. (2004). Chemical and Biological Evaluation of the Essential Oils of Different Melaleuca Species. Phytotherapy Research, 18, pp.30-35.
8 - Ninomiya, K., et al. (2012). The Essential Oil of Melaleuca alternifolia (Tea Tree Oil) and Its Main Component, Terpinen-4-ol Protect Mice from Experimental Oral Candidiasis. Biological and Pharmaceutical Bulletin, 35, pp.861-865
9 - Enshaieh, S., et al. (2007). The efficacy of 5% topical tea tree oil gel in mild to moderate acne vulgaris: A rondomized, double-blind placebo-controlled study Indian Journal of Dermatology Venereology and Leprology, 73, pp.22-25
10 - Maruzzella, J. C., and N. A. Sicurella. 1960. Antibacterial activity of essential oil vapors. J. Am. Pharm. Assoc. 49:692-694
11 - Inouye, S., T. Takizawa, and H. Yamaguchi. 2001. Antibacterial activity of essential oils and their major constituents against respiratory tract pathogens by gaseous contact. J. Antimicrob. Chemother. 47:565-573. [PubMed]
12 - Takarada, K. 2005. The effects of essential oils on periodontopathic bacteria and oral halitosis. Oral Dis. 11:115




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