MEL
- Essencia Bem-estar

- 9 de ago. de 2018
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REMÉDIO NATURAL

O mel é um produto natural formado a partir do néctar das flores pelas abelhas – Apis mellifera da família Apidae). [1] Tem sido usado pelos humanos desde os tempos antigos, a maioria da população antiga, incluindo os gregos, chineses, egípcios, romanos, maias e babilónios, consumia mel para fins nutricionais e para suas propriedades medicinais. [2,3]
Pinturas rupestres mostram que há cerca de 8.000 anos, o mel foi usado pela primeira vez por seres humanos, embora não houvesse evidência de manutenção e cultivo de colónias de abelhas até 2.400 aC. Antes do seu uso pelos antigos egípcios, o mel era esfregado na pele para tratar feridas e foi encontrado em substâncias medicinais de mais de 5.000 anos atrás. [4]
Hipócrates, médico da Grécia Antiga, considerado o "pai da medicina" ocidental, prescreveu o mel dado como oximel (vinagre e mel) para a dor, hidromel (água e mel) para a sede e uma mistura de mel, água e várias substâncias medicinais para febres agudas. [5] Também utilizou mel para a cicatrização de feridas, acção laxativa, tosse e dor de garganta, doenças oculares, anti-séptico tópica, prevenção e tratamento de cicatrizes . [6]
As propriedades benéficas do mel foram exploradas e estudadas nos tempos modernos, e há evidências suficientes recomendando como agente terapêutico natural para vários fins medicinais, sendo o seu uso, em enfermarias clínicas, altamente recomendado. [7]
Estudos indicam que o mel pode exercer vários efeitos benéficos para a saúde, incluindo antioxidante, anti-inflamatório, anti-bacteriano, antidiabético, respiratório, gastrointestinal, cardiovascular, anti-cancerígeno e sobre o sistema nervoso. Estas propriedades devem-se à rica composição química do mel, constituído por carbo-hidratos, proteínas, vitaminas, aminoácidos, minerais e ácidos orgânicos, flavonóides, polifenóis, alcalóides, glicosídeos, glicosídeos cardíacos, antraquinona e compostos voláteis. [7]
Flavonóides e polifenóis, que actuam como antioxidantes, são duas principais moléculas bioactivas presentes no mel. A capacidade do mel para propriedades antioxidantes está relacionada com o seu brilho, portanto, o mel mais escuro tem maior valor antioxidante. De acordo com a literatura científica, o mel aplicado isoladamente ou em combinação com a terapia convencional pode ser um novo antioxidante no controle associado ao stresse oxidativo. O conteúdo fenólico no mel também é é responsável pelo efeito anti-inflamatório, sendo que os compostos fenólicos e flavonóides causam a supressão das actividades pró-inflamatórias. [7]
Várias investigações mostraram que certos polifenóis do mel têm uma promissora função farmacológica na redução de desordens cardiovasculares. Os antioxidantes presentes no mel, como flavonóides, polifenóis, vitamina C e monofenóis, parecem estar associados a um risco reduzido de falhas cardiovasculares. Na doença cardíaca coronária, os efeitos protectores dos flavonóides, como antioxidantes, antitrombóticos, anti-isquêmicos, vasodilatadores e flavonóides, reduzem o risco de doenças coronária através de três mecanismos: melhorar a vasodilatação coronária; reduzir a capacidade de plaquetas no sangue a coagular; e inibir as lipoproteínas de baixa densidade da oxidação [7].
O mel exerce efeitos ansiolíticos, antidepressivos, anticonvulsivantes e antinociceptivos e melhora o conteúdo oxidativo do sistema nervoso central. Vários estudos sobre o mel propõem que os polifenóis do mel têm propriedades neuroprotectoras e nootrópicas, aumentando o desempenho cognitivo. Atenuam, também, os processos biológicas que levam à neurotoxicidade, ao envelhecimento e à deposição patológica de proteínas mal formadas. Mais significativamente, os polifenóis do mel combatem a neuro-inflamação no hipocampo, uma estrutura cerebral que está envolvida na memória, evitando distúrbios de memória e induzindo a produção de memória na esfera molecula, existindo, portanto, uma relação entre o mel com a melhoria de memória [7].
Devido às propriedades do mel, como baixa acidez da água, glicose oxidase e peróxido de hidrogénio, presença de terpenos, entre outros, o mel não ajuda no crescimento de leveduras, bactérias, fungos, leishmania e alguns vírus [9]. Muitas investigações indicaram actividade anti-bacteriana do mel tendo a concentração mínima necessária para inibir o crescimento completo das bactérias. O resultado de estudos indicaram que Escherichia coli e Staphylococcus aureus podem ser significativamente prevenidos pelo mel de manuka e foi demonstrado que a actividade anti-bacteriana do mel é eficaz em muitos patógenos e fungos bacterianos [7], principalmente das espécies bacterianas causadoras de infecções gastrointestinais [8]. O mel mostrou efeitos terapêuticos no tratamento de lactentes e crianças hospitalizadas com gastroenterite indicando notável redução da duração da diarreia nos pacientes. Assim, o mel é indicado e útil para várias condições do trato gastrointestinal [7].
Outra das propriedades do mel é como agente anti-cancerígeno. As células cancerígenas são caracterizadas por renovação apoptótica inadequada e proliferação celular descontrolada. Estudos actuais mostram que o mel pode exercer efeitos anti-cancerígenos através de vários mecanismos.
Investigações indicaram que o mel tem propriedades anti-cancerígenas através de sua interferência com múltiplas vias de sinalização celular, incluindo a indução de vias de apoptose, antimutagénica, anti-proliferativa e anti-inflamatória e tem sido indicado para prevenir a proliferação celular, induzir a apoptose, modificar a progressão do ciclo celular e causar despolarização da membrana mitocondrial em vários tipos de cancro [7].
Muitas pesquisas apoiam o uso de mel na cicatrização de feridas por causa das suas bioactividades anti-bacterianas, anti-virais, anti-inflamatórias e antioxidantes. O mel induz os leucócitos a libertar citocinas, que é o que inicia o reparo dos tecidos. Além disso, activa a resposta imune à infecção e induz a produção de anticorpos. Evidências indicam o uso de mel no tratamento de feridas agudas e em queimaduras de espessura superficial e parcial leves a moderadas [7].
O mel é comummente usado na medicina popular para tratar inflamação, tosse e febre. A capacidade do mel para agir na redução dos sintomas relacionados à asma ou como agente preventivo para impedir a indução de asma foi demonstrada através de vários estudos. Bronquite crónica e asma brônquica foram tratados pelo consumo de mel oral em modelos animal. Além de que, um estudo conduzido por Kamaruzaman et al. mostrou que o tratamento com mel inibia efectivamente a inflamação das vias aéreas induzida pela ovalbumina reduzindo as alterações histopatológicas relacionadas à asma nas vias aéreas e também inibindo a indução de asma, contudo, os mecanismos pelos quais o mel reduz os sintomas da asma, ainda não foi totalmente compreendido [7].
Contra-indicação:
- Apesar de ser um alimento recomendado para diabéticos, o mel pode afectar os níveis de açúcar no sangue, pelo que se deve ter em atenção à quantidade ingerida.
- Não se deve dar mel a bebés com menos de um ano de idade. O mel pode causar uma condição gastrointestinal rara, mas grave (botulismo infantil) causada pela exposição a esporos de Clostridium botulinum. As bactérias dos esporos podem crescer e se multiplicar nos intestinos de um bebé, produzindo uma toxina perigosa. Os esporos das bactérias do botulismo são encontrados na poeira e no solo que podem chegar ao mel e os bebés não têm um sistema imunológico desenvolvido para se defenderem da infecção.
Algumas pessoas são sensíveis ou alérgicas a componentes específicos do mel, particularmente o pólen de abelha. Embora raras, as alergias ao pólen de abelha podem causar reacções adversas graves e às vezes fatais. Sinais e sintomas de uma reacção incluem:
Tontura
Náusea
Vómito
Fraqueza
Transpiração excessiva
Desmaio
Ritmos cardíacos irregulares (arritmias)
Picadas após aplicação tópica
Na Essência · Massagem e Bem-estar , o Mel é utilizado no sabonete artesanal terapêutico Laranja mel e canela.
Experimente!
PRINCIPAL COMPOSIÇÃO DO MEL /100g [9]:
Carbo-Hidratos ___________ 82,4 g
Fructose _________________ 38,5 g
Glucose _________________ 3 g
Sucrose _________________ 1 g
Outros Açucares __________ 11,7 g
Proteína _________________ 0,3 g
Água ___________________ 17,1 g
Vitamina B2 - Riboflavina ___________ 0,038 mg
Vitamina B3 - Niacina ______________ 0,121 mg
Vitamina B5 - Àcido Pantoténico _____ 0,038 mg
Vitamina B6 - Piridoxina ____________ 0,024 mg
Vitamina B9 - Ácido Fólico _________ 0,002 mg
Vitamina C - Ácido Ascórbico ________ 0,5 mg
Cálcio _____________6 mg
Potássio ___________52 mg
Magnésio __________2 mg
Fósforo ____________4 mg
Ferro _____________ 0,42 mg
Zinco _____________ 0,22 mg
Sódio _____________4 mg
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REF. BIBLIOGRÁFICAS
1 - Dashora N, Sodde V, Bhagat J, Kirti SP, Labo R. Antitumor activity of Dendrophoe falcate against Ehrlich ascites carcinoma in Swiss albino mice. Pharm Crops. 2011;7:1
2 - Adebolu TT. Effect of natural honey on local isolates of diarrhea causing bacteria in Southwestern Nigeria. Afr J Biotechnol. 2005;4:1172–4.
3 - Ashrafi S, Mastronikolas S, Wu CD. Use of Honey in Treatment of Aphthous Ulcers IADR/AADR/CADR 83rd General Session. Baltimore, MD., USA: 2005. pp. 9–12
4 - Joseph Nordqvist Everything you need to know about honey Wed 14 February 2018
Reviewed by Natalie Olsen, RD, LD, ACSM EP-C
5 - .Zumla A, Lulat Honey--a remedy rediscovered AJ R Soc Med. 1989 Jul; 82(7):384-5. [PubMed]
6 - Bansal V, Medhi B, Pandhi P Honey--a remedy rediscovered and its therapeutic utility. Kathmandu Univ Med J (KUMJ). 2005 Jul-Sep; 3(3):305-9.[PubMed] [Ref list]
7 - Saeed Samarghandian, Tahereh Farkhondeh Fariborz Honey and Health: A Review of Recent Clinical Research Samini Pharmacognosy Res. 2017 Apr-Jun; 9(2): 121–127. doi: 10.4103/0974-8490.204647 PMCID: PMC5424551PMID: 28539734
8 - Manisha Deb Mandal1 and Shyamapada Mandal2,*Honey: its medicinal property and antibacterial activity Asian Pac J Trop Biomed. 2011 Apr; 1(2): 154–160.
doi: 10.1016/S2221-1691(11)60016-6 PMCID: PMC3609166 PMID: 23569748
9 - Tahereh Eteraf-Oskouei1,2 and Moslem Najafi*,2 Traditional and Modern Uses of Natural Honey in Human Diseases: A Review Iran J Basic Med Sci. 2013 Jun; 16(6): 731–742.
PMCID: PMC3758027 PMID: 23997898




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