MASSAGEM CRANIOFACIAL
- Essencia Bem-estar

- 26 de out. de 2018
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A MASSAGEM CRANIOFACIAL E O NERVO VAGO

Realizada na zona da cabeça, face, pescoço e ombros, a massagem Craniofacial é indicada para o alívio de tensões musculares do pescoço e ombros, para pessoas que sofram de insónias, dores de cabeça e enxaqueca, estados de depressão, ansiedade, dores musculares, pressão alta, desregulação intestinal e qualquer outra patologia que possa ter origem no stress.
Derivado do stress diário, estados de ansiedade, preocupações e até mudanças de temperatura, o nosso corpo tende a adoptar posturas de tensão nesta zona. Quando estas posturas se tornam repetitivas, os nossos músculos mantêm o padrão de tensão, fazendo com que esta região permaneça constantemente tensa, provocando dor e podendo comprometer, também, o bom funcionamento de alguns nervos como o caso do Nervo Vago, também conhecido por Pneumogástrico.
O nervo vago origina-se na parte de trás do bulbo raquidiano – estrutura cerebral que liga o cérebro e a medula espinhal – e sai do crânio por uma estrutura chamada forame jugular, descendo pelo pescoço, tórax terminando no abdómen. Em todo o seu trajecto, o nervo vago enerva os diversos órgãos e músculos que pertencem ao sistema respiratório, cardíaco e digestivo.
É um nervo misto, sendo, por isso, um nervo motor (eferente) em que o impulso nervoso é enviado do Sistema Nervoso Central para as regiões periféricas originando respostas mecânicas, permitindo assim que a musculatura lisa tenha o controle automático de contrair ou relaxar (como por exemplo os movimentos involuntários dos intestinos); e também um nervo sensorial (aferente) em que a informação sensorial é levada das zonas periféricas do organismo ao Sistema Nervoso Central.
Desta forma, o Nervo Vago controla os principais órgãos do corpo e é através dele que o nosso cérebro percebe qual o estado desses órgãos e permite um reajuste homeostático. Assim, o Nervo Vago está intimamente ligado ao nosso Sistema Nervoso Autónomo Parassimpático, actuando como um centro de comando central, que é responsável pelo restabelecimento da condição "normal" do nosso organismo, como diminuir o ritmo cardíaco, aumentado pelo Sistema Nervoso Simpático em resposta a uma situação de stress ou medo, regular a pressão arterial, a temperatura do nosso corpo, promover os processos de digestão, conservar energia e favorecer o descanso, estados de tranquilidade, relaxamento e bem-estar, retomando ao equilíbrio normal do organismo.
Assim, o Sistema Nervoso Simpático prepara o organismo para o stress, instinto de fuga ou luta, aumentando a produção de adrenalina e cortisol, enquanto o Sistema Nervoso Parassimpático controla e estimula o processo de retorno do organismo à sua função normal e à tranquilidade.
O sistema de interacção do Sistema Nervoso Autónomo Simpático e Parassimpático estabelece uma comunicação entre cérebro e activa os fluxos de informações que são canalizados pelo Nervo Vago, mantendo um ciclo de feedback bidireccional de informação. Este processo de autorregulação homeostática permite que os organismos corrijam defeitos, anomalias, excessos ou desvios, mantendo a sua integridade.
O aumento da ansiedade flutuante gerada por demasiado stress, dor excessiva ou situações muito desagradáveis, leva a um maior esforço por parte o organismo em manter essa homeostasia, fazendo com que os estados de defesa, fuga, medo, sensação de incerteza e tensão sejam uma constante, gerando uma reacção em cadeia de emoções negativas fortes e estados inflamatórios que dificultam a reparação das células e que pode originar determinadas patologias, incluindo a sobrecarga do Nervo vago levando à chamada "síncope vagal" com sintomas como tremores, náuseas e suores frios, podendo levar ao desmaio, que ocorre, essencialmente, devido à falta de oxigénio no cérebro por uma diminuição da frequência cardíaca e pressão arterial demasiado rápida, onde o sistema nervoso simpático e parassimpático se encontram em "luta" para equilibrar o organismo e este "desliga".
Ao estimular o Nervo Vago, seja por inalação profunda exalando lentamente ou através da massagem, neste caso na zona cervical, é libertada a acetilcolina, uma substância química, neurotransmissor, que permite uma imediata redução da frequência cardíaca e inibe as respostas do sistema nervoso simpático de luta ou fuga, sendo que também é identificada como um elemento fundamental para um reflexo anti-inflamatório complexo, que é estimulado pela estimulação do nervo vago, estando provado que reduz imenso a inflamação.
A optimização da função do nervo vago pode melhorar a nossa saúde, fortalecendo as nossas defesas perante o stress. Ter um tom vagal superior significa que o nosso corpo pode relaxar mais rápido depois do stress e está associado a menos inflamação, menor ansiedade, melhor regulação emocional e social. Por outro lado, um tom vagal inferior está associado a inflamação sistémica, transtornos de ansiedade e possível depressão clínica, entre outros.
Através da massagem, do toque e da estimulação do nervo vago, é induzida uma resposta parassimpática com um aumento de secreção de serotonina no intestino e diminuição de cortisol, promovendo assim o bem-estar, calma e diminuição do stress. Aumentam também os níveis das hormonas gastro-intestinais (gastrina e insulina) que facilitam a digestão, o trânsito intestinal e a absorção de alimentos. Permite ainda a diminuição da pressão arterial, do ritmo cardíaco e a diminuição da actividade dos órgãos estimulados em excesso pelo efeito da ansiedade, o que vai implicar dormir melhor, aliviar espasmos intestinais, reduzir enxaqueca, entre outros benefícios, mantendo assim o organismo em homeostasia.
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REF. BIBLIOGRÁFICAS
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5 - http://pt.psy.co/a-estimulao-do-nervo-vago-ajuda-a-uma-depresso-resistente-ao-tratamento.html




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